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O ÊXODO DE ISRAEL E O NOSSO

Assim, partiram os filhos de Israel de Ramessés para Sucote, cerca de seiscentos mil a pé, somente de homens, sem contar mulheres e crianças (Ex 12.37).
A palavra êxodo expressa a saída e partida do povo de Israel (a igreja do AT) do longo cativeiro egípcio para uma longa peregrinação (40 anos) por um também extenso deserto antes de entrar e tomar posse da terra dos cananeus, chamada Canaã. O êxodo constitui uma figura da liberdade e do descanso do povo de Deus, o qual aponta como que com o dedo para a igreja, o povo e corpo de Cristo, que ora peregrina por este mundo, não apenas 40 anos, mas já faz 2.000 anos. Daí o êxodo de Israel simbolizar:
Salvação. O sangue pascal, aspergido no umbral da porta das famílias judias, naquela inesquecível noite de pavor para uns e de glória para outros, impedia que o anjo da morte entrasse naquela casa e ceifasse seu primogênito. O sangue de um cordeiro equivalia à salvação de Israel; apontava para o futuro Cordeiro de Deus: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). A travessia do mar, da mesma forma que a nuvem sobre o povo, foi um batismo simbólico (1Co 10.1,2): livramento e proteção do Deus de Israel. 
Educação. O povo, salvo da escravidão egípcia de modo miraculoso, se assemelha ao pecador, hoje, que é salvo pela graça de Cristo. Israel foi salvo e levado ao deserto para ser educado ali, na escola de Deus, em preparação para servir a Deus em sua nova morada – Canaã. Ele não podia entrar de uma vez na terra dos cananeus; tinha de ser, antes, preparado para isso. Nós também peregrinamos pelo deserto deste mundo, sendo disciplinados e educados pelo Senhor, pois um dia também estaremos com ele para sempre. Enquanto isso não se concretiza, sejamos aqui bons alunos dele em sua escola, cujo Professor é o Espírito Santo; e cuja cartilha é a Santa Escritura.
Cada cristão precisa ter em mente de modo bem sólido que Deus jamais salva alguém para depois deixá-lo à deriva, entregue a seus próprios desejos e perigos; digamos, para cruzar seus braços, sem uma diretriz ou um propósito. Todo pecador que é alcançado pela graça de Cristo e libertado de seu cativeiro se une à igreja e é preparado para sua trajetória até alcançar o porto da glória eterna. Todo o Novo Testamento denomina o cristão de seguidor de Cristo, discípulo (ou aluno) de Cristo. Nosso êxodo aqui e agora começa quando ele nos liberta do pecado e nos toma para si e para seu serviço. Ninguém é salvo para ser um espectador; todos os que somos salvos entramos na arena do mundo e lutamos com as armas da fé. 
Esperança. Depois de salvo do Egito, o povo caminhou numa única direção; possuía um só ideal; nutria uma só esperança – chegar a Canaã e habitar seguro nela. Lemos as palavras do apóstolo Paulo: “Porque na esperança fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos” (Rm 8.24,25). A mesma esperança que impelia Israel para frente também nos impele hoje com toda firmeza e determinação – tomar posse da Nova Terra – a Canaã Celestial. Em princípio, já somos herdeiros dela com Cristo (Rm 8.17).
Nossa peregrinação é tumultuada e penosa. Dia e noite estamos em meio aos perigos de morte. No deserto, Israel era constantemente ameaçado por inimigos de todos os lados e pelos próprios riscos oriundos do deserto. Mas o maior perigo que ele enfrentava não vinha de fora, e sim de dentro: a ameaça da apostasia. Quão duro foi aquele êxodo para Israel! Mas o Senhor estava com eles, pessoalmente na forma teofânica, provendo, protegendo, conduzindo, reanimando, até que chegaram em Canaã e descansaram. Não é diferente com seus filhos de Deus atuais. A cada dia e a cada noite somos guardados pelo cuidado divino.
“Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação?” (Hb 1.14).
“Este é o caráter peculiar da Igreja: que, ao produzi-la e preservá-la, Deus exercita poder incomum, para que ela seja separada da comum condição da raça humana; pois, embora ela peregrine pela terra, no entanto, de certa maneira, sua natureza é celestial, para que a obra de Deus resplandeça nela mais fulgurantemente. Não surpreende, pois, se, contrariando o costume usual, ela surja, por assim dizer, do nada, cresça da mesma maneira e faça contínuo progresso” (Calvino, Harmonia da Lei).
Oração: Senhor Onipotente, faze-nos triunfar em nosso êxodo. Não nos deixes caminhar sozinhos. Como de várias formas Israel foi tentado no deserto, assim também o somos. Que sempre tenhamos a presença do Espírito de Cristo, nosso bendito Consolador. Jesus Cristo é nossa única via de escape! Não conhecemos nenhuma outra. Rogamos pela exclusiva mediação de Jesus. Amém.


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