Justa e Necessária
Farei
distinção entre o meu povo e o teu povo; amanhã se dará este sinal (Ex 8.23).
Em toda a
Bíblia lemos que Deus não faz acepção de pessoas; e não é só isso, ela nos
recomenda a não discriminarmos a nenhuma pessoa: branco, negro, rico, pobre,
culto, analfabeto, velho, jovem ou criança, todos somos iguais aos olhos de
Deus. Ele não condena o rico por ser rico e nem salva o pobre por ser pobre.
Ele condena o ímpio por sua impiedade e salva todo aquele que é quebrantado de
coração, que se converte de seus maus caminhos − não importa a raça, a classe
social ou econômica, nem mesmo a origem. Portanto, Deus se agrada de que seus
filhos abracem a todos indistintamente. Esse tipo de discriminação ou acepção é
pecaminoso e merece a maldição divina. A igreja é composta de pessoas de todos
os tipos; neste sentido, ela é mista.
Entretanto, há
uma distinção ou discriminação que Deus faz em seu relacionamento com o ser
humano, e exige que façamos o mesmo. A pessoa má, incrédula, obstinada em seu
próprio caminho, Deus a trata com severidade e a lança para longe de sua face,
caso não se arrependa e insista em seu caminho perverso (Mt 25.41). Neste
sentido, a igreja não pode receber a todos igualmente. Ela não é composta de
perfeitos, mas seus membros são pessoas comprometidas com a fé dos santos e com
aquela vida que agrada ao Senhor da igreja. Não podemos ter comunhão com a luz
e as trevas ao mesmo tempo. Nenhuma lei humana pode nos obrigar a isso.
O Saltério de
Israel e da Igreja começa justamente com esse ensino: “Bem-aventurado o homem
que não anda no conselho dos ímpios,
não se detém no caminho dos pecadores,
nem se assenta na roda dos escarnecedores”
(Sl 1.1). Todo o ensino de Jesus contém este elemento discriminativo. Devemos
tratar bem a todos, mas nossa comunhão espiritual é somente com a família da
fé, isto é, com os que confessam a mesma fé e vivem nela piedosamente (Gl
6.10).
Enquanto isso,
o Senhor trata com brandura, com deferência, concedendo seu perdão àquela
pessoa que o busca de todo o coração, com sinceridade e fé, confessando
sinceramente seu santo nome (Mt 25.34). Não importa que tipo de pessoa seja. Em
Apocalipse, há dois versículos muito pesados sobre os perversos: “Quanto,
porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos
impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que
lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte”
(21.8). “Fora ficam os cães, os
feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e
pratica a mentira” (22.15).
Esta é a única
discriminação que Deus faz, como fez com os israelitas e os egípcios. Ao que o
ama, ele dará as boas vindas; mas àquele que ama e serve ao pecado e vive na
prática do mal, ele mantém à distância e o entrega à condenação eterna. Esse é
o teor de toda a Santa Escritura.
Oração: Senhor Deus, não quero ter minha
sorte lançada com os ímpios. Abençoa-me para que eu te sirva de todo meu
coração. Ao mesmo tempo, não me deixes discriminar as pessoas boas a quem
abençoas, só porque sua condição social, intelectual, econômica é inferior à
minha. Em nome de Jesus. Amém.
