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MIRIÃ


 Mulher Exemplar

E Miriã lhes respondia: Cantai ao Senhor, porque gloriosamente triunfou e precipitou no mar o cavalo e seu cavaleiro (Ex 15.21).
Miriã era a irmã mais velha do Legislador Moisés e do primeiro sumo sacerdote Arão (Nm 26.59). Foi ela quem recolheu e cuidou do cestinho de seu irmão Moisés nas águas do rio Nilo (Ex 2.4,7). Portanto, na história de Israel, ela foi um vulto de extrema importância. O pouco narrado sobre ela nos ensina grandes lições.
Diligência. Emociona-nos vê-la cuidando de seu irmão, ajudando a mãe nos preparativos, observando o cestinho no local onde a princesa costumava banhar-se. Ela chamou a própria mãe para cuidar de Moisés. Eis a figura de um cristão genuíno. Ela correu grave risco de morte, caso fosse descoberto seu “complô” com a própria mãe. Tudo o que fez por seu irmãozinho revela que ela cria em Iavé, Deus de Israel. Mais, ela cria que o Deus de Israel é quem governa todo o universo e guia os passos dos que nele creem e nele descansam. O Senhor abençoou a diligência de Miriã e a fez participante da história bíblica e do triunfo de Israel sobre o Egito, e certamente ela habita no céu com Cristo.
Gratidão. Após a travessia do Mar Vermelho (Ex 15), ela é denominada de profetisa (v. 20). Ela sai com instrumento musical, guiando as demais mulheres em louvor e gratidão ao Deus Portentoso: “Cantai ao SENHOR, porque gloriosamente triunfou.” É assim que o cristão procede. Podemos dizer que quase sempre o louvor a Deus contém o elemento ao qual chamamos ação de graças. Ao entoarmos um cântico de louvor, geralmente o fazemos em reconhecimento pelo que Deus é e pelo que ele faz em prol de seu povo.
Ela declara que Iavé triunfou gloriosamente, não só em libertar seu povo, mas também em destruir os perversos que destruíam Israel. Está embutida neste louvor de Miriã e as mulheres judias uma oração imprecatória, isto é, dar glória a Deus porque ele destrói os ímpios, ou desejar que ele destrua os perversos.
Os Salmos estão saturados deste tipo de oração. Várias vezes em suas obras, o Reformador João Calvino declara que só se pode fazer uma oração imprecatória quando a honra de Deus está envolvida. Os filhos de Deus não devem desejar o mal a alguém simplesmente porque esse alguém os ofendeu. O que importa não é nossa pessoa, e sim a pessoa de Deus; não nosso interesse, e sim o interesse de Deus; não nossa honra, e sim a honra de Deus. Temos que repelir com toda veemência qualquer blasfêmia que os ímpios pronunciam contra Deus. E se eles forem contumazes nessa atitude, nos é lícito implorar que Deus os castigue para servir de exemplo. O ideal é que nunca façamos este tipo de oração.  
Fragilidade. Miriã e Arão cometeram o pecado de injustiça, de egoísmo, de murmuração, de maledicência caluniosa, de desrespeito para com a autoridade constituída por Deus na pessoa de Moisés (Nm 12). Moisés era não só profeta, mas também o legislador do povo de Deus. A ira do Senhor se acendeu e Miriã ficou leprosa por sete dias. Deus perdoou a ambos, porém puniu Miriã de maneira muitíssimo severa. Ela era crente, porém fraquejou. Os filhos de Deus também fraquejam; humanamente falando, são seres humanos como todos os demais, sujeitos a todo tipo de erro.
Que nós, hoje, crentes em Cristo, mais propensos à carne do que ao Espírito, cuidemos bem para não cometermos o mesmo pecado contra Deus, caluniando e difamando os ungidos do Senhor. Porque, quem é ungido por Deus está sob sua proteção. Foi separado por ele e para ele. O falso profeta Balaão não pôde amaldiçoar a Israel porque este fora abençoado pelo Eterno; isto é, estava sob sua proteção. Os verdadeiros crentes em Cristo não podem ser amaldiçoados por ninguém, porque estão protegidos por ele! 
Oração: Guarda-nos, Senhor, em tua fortaleza, para vivermos como bons cristãos. Que sejamos diligentes e agradecidos como fez Miriã. Quando formos punidos por nossos pecados, aceitemos humildemente como ela fez. Ela foi restaurada pela misericórdia do Senhor. Que nos aconteça a mesma coisa, ó Senhor. Pela mediação de nosso Sumo Sacerdote, Jesus. Amém.


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