Pular para o conteúdo principal

Ingresso na Igreja


Sim, Valter sou eu. Aquela pequena igreja veio a ser o berço de minha nova fé, uma fé que antes eu maldizia e dela fugia. Aquela igrejinha passou a ser minha família. Cada vez mais me entrosava com pessoas que oravam por mim e comigo. Ensinavam-me não só a ler a Bíblia, mas também a amá-la e a conhecê-la. Encontrei em certo jovem um amigo e mestre do alfabeto bíblico. Infelizmente, ele regressou ao caminho de outrora e permaneceu nele, afastando-se da santa vereda da fé genuína. No entanto, nunca deixei de amá-lo, porque, misteriosamente, nos comandos da Providência, o Senhor da Igreja o usara para encaminhar-me na vereda que, depois, ele mesmo abdicou. Quem é capaz de entender ou de explicar essas coisas?  

Minha querida igreja em 1958
Armando Bonilha mudou-se, e para Tupaciguara foi um moço chamado Francisco Maia, naquele tempo evangelista da Missão Presbiteriana no Brasil, pois aquela congregação pertencia ao campo missionário da Missão. Bem jovem, ainda solteiro, Francisco deixara o IBEL e passou a morar também naquela mesma pensão, com seu quartinho exclusivo, separado dos demais, conquanto levava uma vida completamente diferente de todos os mais e carecia de um cantinho isolado para suas reflexões e estudos. Foi dele que comprei minha primeira Bíblia, a qual veio a ser meu primeiro abecedário bíblico. Foi com ele que aprendi os rudimentos doutrinários. Foi dele que recebi as mais profundas influências para o ministério futuro. Moço correto, franco, sisudo, letrado, simpático, sorriso largo, cativava as pessoas com sua pessoa e seu modo de ser. Aquilo para mim era algo completamente novo, porquanto vivera até então saturado com todo tipo de hábitos e vícios nocivos e destrutivos e na companhia de pessoas que já tentavam arrastar-me para o mundo da perdição. Numa palavra, eu já estava bem encaminhado e iniciado na vereda que conduz à destruição. Sozinho, teria caído no abismo sem fundo.

Professei minha fé em maio de 59, ano do jubileu da IPB, um pouco antes de completar 20 anos, sob a ministração de um homem que mais tarde seria meu companheiro por duas etapas, em Goiânia e em Ceres, duas etapas completamente distintas, porém marcantes. Seu nome é Luis Sherwood Taylor. Naquela cerimônia eu estava só, nem mesmo sabia responder às perguntas do ministrante. Se a validade da profissão de fé estivesse na perfeição das respostas às perguntas feitas pelo ministrante, então a minha não teria tido qualquer validade. Mas, por detrás do ato externo estava algo profundo e invisível, conhecido só daquele que age em secreto nos mais recônditos do ser humano, para mudar e redirecionar em conformidade com seu desígnio e vontade soberanos.

Postagens mais visitadas deste blog

O ROSTO DE MOISÉS

E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que evanescente, como não será de maior glória o ministério do Espírito! Porque, se o que se desvanecia teve sua glória, muito mais glória tem o que é permanente (2Co 3.7,8,11). Ao descer do Monte Sinai, e encontrar o povo de Israel em torno do bezerro de ouro, numa autêntica prática carnavalesca, Moisés quebrou as duas tábuas de pedra da lei. Ele retornou ao monte e esteve mais quarenta dias e quarenta noites na presença de Deus. Depois disso, ele voltou com outras duas tábuas de pedra, exatamente como as primeiras. Mas havia algo mais: o rosto dele resplandecia. Arão e o povo temeram aproximar-se dele, por isso ele passou a cobrir seu rosto com um véu. O apóstolo Paulo nos esclarece que Moisés cobriu seu rosto porque percebeu que aquele brilho se desvanecia gradativamente. E, segundo o ap...

Minha História como Tradutor - Valter Graciano Martins

A SERPENTE DE BRONZE

Então, partiram do monte Hor, pelo caminho do mar Vermelho, a rodear a terra de Edom, porém o povo se tornou impaciente no caminho. E o povo falou contra Deus e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do Egito, para que morramos neste deserto, onde não há pão nem água? E a nossa alma tem fastio deste pão vil. Então, o SENHOR mandou entre o povo serpentes abrasadoras, que mordiam o povo; e morreram muitos do povo de Israel. Veio o povo a Moisés e disse: Havemos pecado, porque temos falado contra o SENHOR e contra ti; ora ao SENHOR que tire de nós as serpentes. Então, Moisés orou pelo povo. Disse o SENHOR a Moisés: Faze uma serpente abrasadora, põe-na sobre uma haste, e será que todo o mordido que a mirar viverá. Fez Moisés uma serpente de bronze e a pôs sobre uma haste; sendo alguém mordido por alguma serpente, se olhava para a de bronze, sarava (Nm 21.4-9). Neste texto lemos do cansaço, da fadiga, da impaciência e da maledicência do povo contra o Senhor e contra Moisés. Evide...