Há certos ensinos bíblicos que são muito
difíceis e desafiantes, os quais requerem humildade de nossa parte para que não
nos achemos negando a Revelação de Deus. Um desses ensinos é aquilo que a
Bíblia chama de eleição e predestinação. Esta doutrina tem enfrentado os
furiosos ataques de cristãos e não cristãos. Muitos cristãos sinceros a leem na
Bíblia, sentem-se incomodados, porém não dirigem palavras ofensivas contra o
Espírito Santo que nos deu a Bíblia. Enquanto a doutrina é focada como matéria
de discussão para encontrar-se uma compreensão mais clara, tudo bem; até aqui,
não estamos ofendendo o Espírito de Deus. O conteúdo da Santa Escritura precisa
ser discutido até chegarmos a um entendimento mais profundo dela. Mas o que
ocorreu através dos tempos, e sobretudo ocorre hoje com maior intensidade, não
é mera discussão, e sim negação; não mera negação passiva, mas
desprezo ativo; não mero desprezo ativo, mas franca blasfêmia contra a
doutrina, inclusive revoltante deboche. Quando ela não é menciona com desdém, é
amaldiçoada pelos falsos profetas. Não só isso, mas os ouvintes e seguidores
desses profetas os aplaudem e exclamam aleluia! fitando o céu com êxtase. Aqueles
que não seguem diretamente a tais profetas, contudo não deixam de ouvi-los
mesmo depois de uma flagrante blasfêmia contra o ensino bíblico.
Digo que não sou profeta nesse sentido,
nem apóstolo, nem um vulto famoso no seio do cristianismo. Sou um modesto
intérprete da Santa Escritura que desde o ano de 1958 abriu a Bíblia pela
primeira vez sem jamais fechá-la. Aprendi a amar e a reverenciar esse grandioso
Livro. Declaro com meus lábios que a Bíblia é a Palavra de Deus escrita, que
nos foi dada pelo Espírito Santo para direcionar-nos no caminho do serviço e
culto do Deus vivo. Desde o início orei ao Senhor da Igreja que me desse
sabedoria para entendê-la, ensiná-la, sem jamais negar mesmo o que há de mais
difícil nela. Quando a entendo, me regozijo; quando não a entendo, adoro o
Revelador e continuo estudando. Nunca entendi exaustivamente a doutrina da
predestinação, porém nunca tive a ousadia, ou, melhor, o atrevimento de
negá-la; amaldiçoá-la, isto é, considerando-a maldita e nociva à nossa fé; isso
nunca nem mesmo passou por minha mente. Sempre cri que este Livro todo nos foi
dado pelo Espírito Santo. Tudo o que está nele é bendito e uma dádiva do
Espírito Eterno. Há doutrina inferencial, como a Trindade, e há doutrina
expressa e impressa. E a predestinação é essa doutrina que lemos verbal e
claramente na Santa Escritura. Nunca entendi esse mistério, e creio que jamais
vou entendê-lo mesmo na eternidade, porém nunca nem mesmo suspeitei que ela
fosse falsa e indigna de minha fé.
Desde o início senti-me aterrado com a
ideia de Deus haver predestinado seus filhos para a glória eterna. No entanto,
sempre li na Santa Bíblia:
“Os gentios, ouvindo isto,
regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados [predestinados] para
a vida eterna” (At 13.48).
“Porquanto aos que de antemão conheceu,
também os predestinou para serem
conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre
muitos irmãos. E aos que predestinou,
a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que
justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.29, 30).
Nunca encontrei um cristão que negasse a
presciência de Deus; nunca encontrei sequer um que negasse o chamado de Deus;
nem alguém que negasse a justificação ou a glorificação. Mas os cristãos têm
posto a predestinação em xeque, quando não a maldizem como uma doutrina
perversa! No entanto, ela está no meio de outras grandes doutrinas bíblicas
confessadas pelos cristãos. Se você arrancar a predestinação desta bendita
corrente doutrinária, então esta corrente é desfeita; já não existe!
Leio ainda:
“Assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo” (Ef 1.4).
“Nos predestinou para ele” (Ef 1.5).
“Nele, digo, no qual fomos também feitos
herança, predestinados segundo o
beneplácito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho de sua vontade”
(Ef 1.11).
Todo cristão que tenho encontrado em meu
caminho até hoje, que crê no ensino total da Bíblia, tem confessado que esta
misteriosa doutrina o tem confortado profundamente. Mesmo sem entendê-la, tem
rendido graças a Deus por um dos predestinados.
O apóstolo Paulo, em sua segunda carta
aos tessalonicenses, leva os crentes dali a renderem graças e mais graças...
pelo quê?
“Devemos sempre dar graças a Deus por
vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação
do Espírito e fé na verdade” (2Ts 2.13).
Ele queria que os cristãos fossem gratos
a Deus pelo fato de haverem sido escolhidos, eleitos, predestinados para a
glória eterna. E o apóstolo João também escreveu as próprias palavras de Jesus
Cristo, nosso Senhor:
“Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me
enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.44).
Num sentido contrário, uma das
expressões mais tremendas de nosso Senhor é que lemos no Evangelho de Mateus:
“Toda planta que meu Pai celestial não
plantou será arrancada” (Mt 15.13).
O contexto nos informa que nosso Senhor
está se referindo aos não-eleitos, que não são plantas de Deus, em
contrapartida com os eleitos, que foram plantados pela mão de Deus.
Não quero demorar-me em citações que são
muito abundantes. De Gênesis a Apocalipse nos deparamos vezes e mais vezes com
a ideia da eleição ou predestinação divina. Alguém disse acertadamente que, se
formos eliminar a doutrina da eleição divina na Bíblia esta praticamente
desapareceria.
Então, por que os falsos profetas
desdenham e até mesmo amaldiçoam esta gloriosa doutrina do Espírito? Eles são
muito diferentes dos patriarcas, dos profetas e dos apóstolos. Estes adoravam a
Deus por sua revelação. Ensinaram e creram tudo o Espírito ordenou fosse
escrito. O temor de Deus dominava aqueles corações crentes e reverentes. Eram
humildes, pobres, quase sempre solitários; muitos eram perseguidos pela verdade
que ensinavam. Paulo chegou a dizer que eles, apóstolos, eram tidos como lixo e
escória do mundo. Todos eles morreriam pela verdade do Deus eterno. O que fazem
os falsos profetas? Antes de tudo, são enganadores, são falsários, são ricos,
são famosos, seguidos por multidões, ensinam o que querem e negam com veemência
o que não querem. Não temem nem tremem da Palavra do Deus vivo. Para eles deixo
aquela profecia de nosso Senhor no final do Sermão do Monte:
“Muitos naquele dia hão de dizer-me:
Senhor, Senhor”, porventura, não temos nós profetizado
em teu nome, e em teu nome não expelimos
demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci.
Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade” (Mt 7.22, 23).
É preciso recordar bem do profeta
Balaão. Deus chegava a falar com ele e através dele; o usou para seu glorioso
propósito, mas era um falso profeta. Deus não o chamara, mas ele mesmo se fez
profeta, e recebeu o merecido salário.
Eu lhe pergunto, prezado amigo: não é
preferível abraçar a Bíblia como ela é, sem retoque, sem acréscimo, sem
decréscimo, sempre bendizendo a Deus por ela, aprendendo humildemente as sãs
doutrinas dos profetas e apóstolos? Se você segue os blasfemadores, mesmo não
blasfemando com eles fazem, pensa que seu destino está seguro diante de Deus, o
supremo Juiz? Quando eles receberem o veredicto divino por sua corrupção, você
pensa que estará livre? Ou estará envolvido no mesmo pecado?
Então lhe deixo um incisivo desafio:
vire as costas para os falsos profetas e abra sua Bíblia e diga ao Senhor que
no-la deu: “Meu Deus, faz-me amar, reverenciar, aprender e ensinar este Livro
glorioso. Livra-me dos falsos profetas, cínicos, despudorados, atrevidos,
desdenhosos e blasfemos. O que me importa é somente Jesus como meu Salvador e a
Bíblia como meu manual para aprender e praticar o que ler nela.”
Meu desafio, como um cristão que um dia
conheceu a Bíblia e a abraçou, é que você não descreia nada do que está nela.
Esse é o único caminho reto e seguro! Guarde em seu coração as palavras do
apóstolo:
“Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo
vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja
anátema” (Gl 1.8).
Vamos unir nossas forças e nossa fé
contra os falsos ensinos dos falsos mestres. Jesus nos avisou que eles viriam
com toda a força (Mt 24.11, 24).
A Deus toda glória!