Entre as tantas experiências no campo de tradução, uma me marcou expressivamente. Enquanto traduzia a Harmonia da Lei (Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), de João Calvino, ao concluir os três primeiros volumes, já bem adiantado no quarto, meu computador deu problema e foi levado a uma oficina técnica para ser formatado. Todo seu conteúdo foi gravado pelo técnico e também num HD externo de minha propriedade. Assim que ficou pronto, instalamos de novo o computador com toda a matéria existente antes reinstalada pelo técnico, e continuei meu trabalho no quarto volume dessa obra. Antes que ficasse pronta, precisei recorrer ao terceiro volume. A surpresa foi terrível – simplesmente terrível! Esse volume já não existia. Recorri ao técnico, e descobrimos que ele também já havia apagado tudo de seu pendrive. Abrimos meu HD externo, e a surpresa aumentou, pois esse volume – somente ele! – também não existia ali. Levei de volta o computador àquela oficina para uma busca profunda por meio dos meios tecnológicos mais modernos, e nada! Não se encontrou o mínimo vestígio daquele volume; simplesmente desapareceu.
Aturdido, deixei escoar alguns dias, sem qualquer ânimo de prosseguir meu precioso trabalho de tradução. Teria que traduzir aquele volume a partir da estaca zero. Mas não atinava como fazer isso. Todo meu empreendimento sofrera um revês profundo, pois aquele volume tinha quase 500 páginas. Você já leu um inteiro com esse número de página? Meu trabalho não é uma simples leitura, é uma conversão de leitura, de um idioma para outro. Então certa manhã liguei meu computador, assentei-me diante da tela, reabri aquele volume, coloquei-o diante dos olhos e orei: Senhor, não sei exatamente por que perdi todo aquele trabalho. Como não creio em acaso, mas toda minha vida é pautada pela Providência, então o que aconteceu não foi uma fatalidade. Talvez nunca vou entender exatamente o propósito divino nessa história, mas ele existe. Agradeço-te a saúde e disposição que tive na primeira tradução. Agora preciso de tua benção para fazer a segunda, porque não posso parar, pois aprendi que “quem desiste de lutar nunca tem razão”. Se me abençoas agora, recomeço com o mesmo ânimo e disposição, com a mesma alegria, com a mesma visão que sempre tive quando começo um novo livro. É como se eu fosse traduzi-lo pela primeira vez.
Olhei para a primeira página e comecei meu trabalho com a mesma alegria de sempre. Em cerca de dois meses eu terminava a segunda tradução como se fosse a primeira. Sempre que termino um capítulo, principalmente quando termino um livro, costumo erguer as mãos para o céu e exclamar: Aleluia! Obrigado, Senhor por mais uma vitória nessa grande guerra. Esse brado do coração foi mais intenso agora: Aleluia! Amém! Havia em meu coração uma euforia secreta que extravasou não só em minha face, mas sobretudo em meus lábios. Minha alma adorava o Onipotente. E me lembrei da oração de Daniel: “A ti pertence toda a glória, mas a nós pertence o corar de vergonha.” Imaginei que poderia abrir com sucesso meu primeiro blog com esta experiência, pois muita coisa semelhante ocorre a quase todas as pessoas que lutam na esfera do bem, desejando engrandecer o reino do Onipotente. Pode ser que você também já experimentou algo semelhante. Depois daquela dura experiência já traduzi muitos outros livros, todos volumosos. Mas aprendi a lição. Hoje me valho de vários artifícios de segurança. Os filhos de Deus aprendem a duras penas que devem ser inteligentes, diligentes, vigilantes e precavidos. Creio que o Espírito de Deus quer que vivamos assim diante de seu rosto, e guardemos como preciosas as lições do cotidiano. “Bendize, ó minha, ao Senhor!”