Romanos 11.33-36
Este texto constitui o glorioso cume da discussão de Paulo sobre os mistérios de Deus nos capítulos 8 a 11 de Romanos. Após discutir acerca do decreto da eleição divina e da rejeição divina, particularmente dos judeus, ele então entoa esta maravilhosa doxologia ao Deus absolutamente soberano. É difícil, para não dizer impossível, encontrar na literatura humana uma expressão mais completa e mais grandiosa dirigida ao Deus Eterno. Antes de tudo, ele diz que Deus é:
1. Soberano em seu Ser
Para Calvino, só podemos ir, no conhecimento de Deus, até onde a Santa Escritura nos permite. “Do contrário, entraremos num labirinto do quão o escape não nos será fácil.” “Que aqui ele [Paulo] não pretende discutir todos os mistérios de Deus, mas somente aqueles que se acham escondidos em Deus, e mediante os quais Ele deseja que o admiremos e o adoremos.” Portanto, em vez de definir o Ser de Deus, ele se abisma ante a inescrutabilidade de seu Ser intrínseco. Para quem abre suas Institutas pela primeira vez, esperaria deparar-se com o primeiro capítulo explicando o Ser de Deus. No entanto, se depara com uma necessidade axiomática: a necessidade de se conhecer a Deus e a si próprio.
E, de fato, a Bíblia se abre sem explicar quem ou o que é Deus, mas meramente declara sua incansável atividade: “no princípio criou Deus.” E assim Calvino não tem, em todas as suas obras, um capítulo específico que explique exaustivamente o Ser de Deus, mesmo assim não significa que ele, aqui, ali e acolá não diga algo sobre as profundezas do Ser de Deus. Paulo mesmo, em parte alguma de suas Cartas, explica o Ser de Deus, senão que, depois de discorrer sobre os decretos de Deus no eterno pretérito, exclama espantado: “Ó profundidade da riqueza!” Em vez de falar da riqueza do Ser intrínseco de Deus, menciona dois de seus gloriosos atributos: sabedoria e conhecimento. Ao exclamar de novo, “Quão insondáveis!”, em vez de tocar seu Ser intrínseco, menciona seus juízos e caminhos, ambos os termos significando, segundo Calvino, “as ordenanças divinas ou a maneira divina de agir ou de governar”. Assim, entendemos que Deus só pode ser conhecido através de sua ação: falando e agindo; através dos resultados de sua presença no universo.
Muito embora não possamos, de alguma forma, analisar o Ser de Deus, contudo ele quis dar-nos uma leve prelibação desse Ser na natureza, na Santa Escritura e sobretudo na Pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo, querendo que reflitamos bem sobre sua grandeza e distinção absolutas. Pelos lábios de Isaías, ele nos indaga: “Com quem comparareis a Deus? Ou que coisa semelhante confrontareis com ele?” (Is 40.18). “A quem, pois, me comparareis para que eu lhe seja igual?” (Is 40.25). Ele quer dizer que não existe seu igual, que ele é completamente Outro; sua existência é completamente independente. Sim, que toda e qualquer existência fora dele foi causada por ele mesmo. Significa que, se hoje o universo todo desaparecer, Deus continuará tão perfeito e feliz como sempre o fora antes de criar qualquer coisa. Nesse sentido, ele é sozinho, solitário, sem qualquer parceiro que lhe esteja à altura. Nesse sentido ainda, ele não carece de nada e de ninguém. Muito diferente do Deus do panteísmo, o Deus verdadeiro não está atrelado à criação ou à criatura. Ele não criou algo por necessidade intrínseca, nem para completar sua felicidade pessoal, mas simplesmente porque o quis fazer. Aliás, o só compará-lo com alguém ou com algo fora dele já é uma grave ofensa à sua pessoa. Assim ele se propôs criar os mundos e uma criatura parecida com ele à qual pudesse fazer-se conhecido, e até onde pudesse ser conhecido.
O Rev. Dr. Eber Campos, em seu livro, O Ser de Deus, no tópico, “A Singularidade de Deus”, diz “ele é único, sem par. Ele é um, não há nenhum outro além dele. Todos os seres têm existência por causa dele e nele.” E podemos acrescentar que ele é causador sem ser causado. Não existe por detrás dele nenhuma causa que o fizesse existir, nem ele mesmo causou sua própria existência. Esta não foi causada por nada e por ninguém. Justamente por isso Calvino o chama “o Deus incompreensível”, quando trata de sua “providência secreta”. Ele mesmo se denominou: “Eu Sou o que Sou”. O único Ser que é, que possui auto-existência. “Quem primeiro lhe deu a ele para que lhe seja restituído?” A quem ele seria restituído? A quem ele teria que prestar contas? Ele deve satisfação aos anjos, ou aos homens?
Ele é um Ser eterno. Aliás, o único eterno. Os cientistas avaliam o universo como que existindo desde bilhões de anos. Pressupondo que eles tenham razão, isso significa que o universo não é eterno. Antes de um bilhão de anos, o cosmos não existia. No entanto, a Santa Escritura afirma que o Criador do universo é eterno, jamais teve início, nem mesmo progrediu. Seu Ser é eternamente inalterável. Seus atributos sempre foram nele tão perfeitos quanto o são agora, e serão assim perfeitos eternamente.
Em segundo lugar, ele diz que Deus é
2. Soberano em sua vontade
“Quem conheceu a mente do Senhor?” Que criatura pode sondar, perscrutar, dissecar o interior do Criador de todas as coisas? Quem esteve com ele quando arquitetou e decretou tudo? Quem participou de suas maquinações? De seus planos? Sua mente é um universo completamente isolado e impenetrável. Mente pressupõe propósito, desígnio, intenção. Podemos parodiar: “Quem conheceu o propósito, o desígnio, a intenção do Senhor?” Isto é, sua vontade é soberanamente livre, independente, não está atrelada a nada e a ninguém; ele é o único que realmente possui o livre-arbítrio, isto é, uma vontade absolutamente soberana. Quando pede conselho, ele se volta para si próprio, e se indaga. “Quem foi seu conselheiro?” Quem foi seu mentor? Quando jura, ele o faz a si próprio, porque não tem ninguém acima de si a quem jurar (Hb 6.13, 14). Sua vontade não pode ser impedida ou obstruída por nada e por ninguém fora dele.
Calvino diz que Paulo faz esta abordagem como uma conclusão do assunto previamente discutido, a saber, o eterno e imutável decreto da predestinação. Se os que negam a doutrina bíblica da predestinação lessem com cuidado este epílogo, em vez de porem em xeque a revelação divina, se uniriam a Paulo neste louvor ao Deus cujo decreto é imutável e inescrutável. É como se ele estivesse nos dando um “tapa na cara” por querermos contestar o que Deus fez na eternidade e nos revelou no tempo. No capítulo 9.20, ele perguntara: “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?” E mais adiante diz: “Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e me compadecerei de quem me aprouver ter compaixão.” E segue espantando ainda mais nossa ferrenha inclinação à incredulidade, dizendo: “não depende de quem quer ou de quem corre, mas de Deus usar sua misericórdia.” Mais abaixo, “Logo, ele tem misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz.” Que criatura contestaria o Criador: “Por que me fizeste assim?”
Diremos que esta é uma soberania de caráter absoluto, sem levar em conta a ninguém ou a nada fora dele mesmo. E declaramos que tudo o que ele quer é bom, pois não pode querer o que é mau; e tudo o que ele quer ninguém pode evitar ou anular, nem o mais glorioso anjo, nem o mais tenebroso demônio. Portanto, não nos adianta negar algo em sua revelação como sendo impossível, pois isso só dificulta nosso acesso a ele. Porque, “obedecer é melhor que sacrificar”.
Paulo diz que “tudo é dele”; ele a tudo criou para sua própria glória e aprazimento. Porque ele assim o quis. Isso desagrada ao homem, que acredita que Deus se dobra ante a vontade humana. A vontade humana é tão poderosa e soberana, que nem mesmo Deus a contraria. Como se o Criador se dobrasse ante a criatura. Se eu não quiser, ele nada pode fazer. Ele só age se eu quiser. Soberana é a vontade do homem, não a de Deus. Em vez de glorificar o livre-arbítrio de Deus, o homem se deleita em proclamar seu próprio livre-arbítrio; inclusive os cristãos agem assim.
Isso é o que Satanás pôs no coração de Eva, no Jardim do Éden. “Sereis iguais a Deus.” Mas o homem se exalta a tal altitude, que hoje ele acredita que Deus não é igual a nós; ele nos é subserviente; ele está ao nosso serviço e dispor. Crer assim é inferiorizar-se aos próprios ateus.
Em terceiro lugar, ele diz que Deus é
3. Soberano em sua atividade
“O Deus que Age” é o título do livro de Ernest Wright, editado pela ASTE, e vale a pena lê-lo. Aliás, nem cremos que Deus, antes de criar o universo, fosse um Ser apático, inativo, ainda quando não tenhamos a menor idéia de como ele então agia. Nem podemos sondar sequer um mínimo sua intenção de criar o universo, a não ser que fosse para seu próprio deleite e glória. Só sabemos que “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele [o Verbo], e, sem ele [o Verbo], nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3). E, ao começarmos a leitura de Gênesis, lemos no segundo versículo: “e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas.” E lemos no Salmo 104.30: “Envias o teu Espírito, eles são criados, e assim renovas a face da terra.” Significando que as três Pessoas da Deidade sempre foram e estão sempre ativas no avanço do universo.
É em Calvino que lemos que certo homem indagou a um ancião o que Deus fazia antes de criar o universo, e a resposta foi: “Cogitava o inferno para os curiosos.”
Mas sua atividade mais primordial é a formação de sua Igreja composta dos eleitos e predestinados, segundo a discussão de Paulo em Romanos 8 a 11. O grande expositor reformado das Escrituras, William Hendriksen, em seu precioso livro Mais que Vencedores, quando analisa o livro do Apocalipse, declara diversas vezes que Deus age no interesse de sua Igreja. Toda sua ação no universo visa a este propósito máximo e final: a glória do corpo de Cristo, que é a Igreja, em seu aperfeiçoamento final e eterno.
Paulo não está discutindo aqui um ato arbitrário de Deus, a eleger uns e a relegar outros à destruição eterna, por mero capricho, senão que fala de um plano perfeitamente delineado e projetado para o futuro aperfeiçoamento de um povo – a Igreja. E ele não decretou a existência de sua Igreja movido por influência externa, mas fez isso soberana e independentemente. Não elegeu e predestinou a cada um de seus membros mediante previsão de sua fé e obediência, mas justamente para que cressem e obedecessem. A fé e obediência do eleito não são a causa da eleição, e sim o efeito, resultado ou fruto. A causa da eleição está em Deus mesmo. Ele não poderia prever no homem nada que o movesse a elegê-lo, porquanto o homem nem mesmo existia e jamais houve nele algo tão glorioso que pudesse ser previsto ou mover a Deus.
Isso é espantoso? É claro que é, pois espantou profundamente até mesmo o apóstolo. Antes de tudo, essa atividade divina faz convergir para Cristo, a Cabeça da Igreja, todas as coisas do universo. “Fazendo convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra” (Ef 1.10). Calvino diz que a intenção de Paulo era ensinar que “fora de Cristo todas as coisas estavam em desordem, mas que, por meio dele, elas foram reconduzidas à ordem. E, deveras, fora de Cristo, o que podemos divisar no mundo senão meras ruínas? Pelo pecado, estamos alienados de Deus; e o que somos, senão errantes e alquebrados? Sem Cristo, porém, o mundo todo é um caos disforme e jaz em total confusão.”
Portanto, o desígnio primordial de Deus no universo é a glória final da Igreja como o Corpo de Cristo, e sua final e suprema é que tudo se convirja para a glória de seu próprio Filho, o Senhor da Igreja.
Em quarto e último lugar, ele diz que Deus é
4. Soberano em sua glória
“Porque dele e por meio dele e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém.”
4.1. Glória intrínseca: “Porque dele.” Glória, em grego, é doxa. É a palavra escolhida pelo Espírito Santo, ao inspirar os autores da Bíblia, para expressar o esplendor, a majestade e o poder intrínsecos e inerentes do Ser único realmente existente no universo, o único que pode dizer: “Eu sou o que Sou.” O que a Bíblia apresenta de tudo isso é em termos antropomórficos ou figurados. Não haveria linguagem humana que pudesse expressar com exatidão a glória infinita da Deidade. O infinito não pode ser expresso em termos finitos. Essa glória é a infinita perfeição desse Ser singular, sem par, sem paralelo, isolado em seu Ser intrínseco.
4.2. Glória manifestada: “por meio dele.” Por isso, o que se manifesta dela é uma pálida demonstração do que ele realmente é. É o que Moisés viu no Monte Sinai e quando foi posto numa fenda de pedra (Ex 33 e 34). E o pouco que ele viu foi suficiente para arrancar de si esta declaração: “Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocente o culpado, e visita a iniqüidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até a terceira e quarta geração.” Em vez de descrever tal glória, ele a magnifica. Porque não há como descrever o indescritível. Não vivemos para compreender ou descrever a glória de Deus, e sim para adorá-la e apreciá-la.
O que os apóstolos viram no monte da transfiguração (Mt 17) é uma pálida prelibação da glória do Filho de Deus. E, no entanto, lemos que não sabiam o que estavam falando, quando sugeriram que nosso Senhor construísse ali tendas para ficar com eles.
De modo semelhante, o que Isaías viu (Is 6): um trono elevado e sublime, com Alguém sentado, cujas abas das vestes enchiam o templo; o clamor de serafins [seres celestiais a serviço de Deus] de três pares de asas cada um, para voar, encobrir os pés e o rosto, com incessante clamor, “santo, santo, santo”, declarando que “toda a terra se enche com sua glória”. Isto é, sua glória é vista em toda a criação.
E o que Ezequiel viu? Apenas isto: “um vento tempestuoso, uma grande nuvem, com fogo a revolver-se, e resplendor ao redor dela, uma coisa como metal brilhante que saía do meio do fogo.”
E o que João viu na Ilha de Patmos? Simplesmente, “Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles.” Por que a terra e o céu fugiram? Porque quando Deus se manifesta em sua plenitude nada suporta sua presença. Toda boca se cala.
E a glória que ele viu de Cristo não passa de uma alegoria, porquanto é impossível imaginar sua glória real. Ele viu candeeiros de ouro, um ser semelhante a homem, com vestes luminosas, cabeça e cabelos alvos como lã e neve no máximo de sua alvura, olhos como chama de fogo, pés resplandecentes, voz como o ruído de uma gigantesca catarata.
4.3. Glória reivindicada: “para ele.” Lemos as palavras de Paulo em 1 Coríntios 10.31 que, tudo quanto fizermos neste mundo, que vise unicamente à glória de Deus. E Calvino ajunta que, tudo aquilo que não vise à glória de Deus é pecaminoso e condenado por ele. Isto é, tudo o que somos, pensamos e fazemos deve almejar a glória de Deus.
O fato é que Deus reivindica para si toda a glória universal, isto é, todo o engrandecimento do mundo inteiro, criado unicamente para a própria glória do Criador. Esta é uma visão unicamente cristã. Os judeus pensam também assim, porém excluem a Cristo, o esplendor máximo da glória de Deus. E o mundo estranha tudo isso, porquanto acredita que Deus criou a cada um de nós para que viva para si o máximo que possa, sem interferência de fora. O fim principal do homem, no conceito do ser humano alienado de Deus, é desfrutar para si de toda a criação. “Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos.” Para os filhos de Deus, esse fim principal é a glória de Deus e seu desfrute dele mesmo. Ao glorificar a Deus, o homem crente encontra a fonte da verdadeira felicidade.
4.4. Glória reconhecida: “A ele, pois, a glória eternamente. Amém.” Deus não pretende que o entendamos plenamente; o que ele quer é que o exaltemos em sua infinitude. Ele quer que desejemos profundamente glorificá-lo em tudo o que somos, em tudo o que fazemos e em tudo o que pensamos. Ele quer que sua glória seja nossa meta máxima e final. Ele quer que haja uma descentralização do ego humano para o Ego divino. Ele quer que pensemos nele continuamente; que o desejemos como nosso Bem supremo. Estar nele é usufruir a felicidade máxima e perene. O prazer de Deus é que o reconheçamos no íntimo, que o declaremos com os lábios e com o viver diário. Pois fora dele não existe nenhuma fonte de vida e de felicidade.
4.4. Glória reconhecida: “A ele, pois, a glória eternamente. Amém.” Deus não pretende que o entendamos plenamente; o que ele quer é que o exaltemos em sua infinitude. Ele quer que desejemos profundamente glorificá-lo em tudo o que somos, em tudo o que fazemos e em tudo o que pensamos. Ele quer que sua glória seja nossa meta máxima e final. Ele quer que haja uma descentralização do ego humano para o Ego divino. Ele quer que pensemos nele continuamente; que o desejemos como nosso Bem supremo. Estar nele é usufruir a felicidade máxima e perene. O prazer de Deus é que o reconheçamos no íntimo, que o declaremos com os lábios e com o viver diário. Pois fora dele não existe nenhuma fonte de vida e de felicidade.
A coisa máxima que o verdadeiro servo de Deus deseja e busca é que Deus, somente ele, e ninguém mais, em todo o universo, receba a glória máxima não só dos lábios de seus filhos, mas de sua própria vida. Aliás, ser cristão genuíno é não só reconhecer, pessoalmente, que a glória de Deus está acima de tudo e de todos, mas também levar pessoas e mais pessoas ao mesmo reconhecimento. É ter genuíno prazer em fazer isso. Ele sente que, para que possa ser eternamente feliz, para ser eternamente glorioso e venturoso, a perene fonte de todas as coisas é reconhecer e fazer com que mais pessoas encontrem em Deus o segredo da verdadeira felicidade; e que isso está no fato de reconhecer que somente Deus possui a glória eterna e universal.
Hoje as seitas ensinam que não devemos orar para que Deus faça sua própria vontade. Certo líder de seita afirmou em seu jornal “é uma blasfêmia pedir que Deus faça sua vontade; ele quer fazer nossa vontade.” Toda a Bíblia é contra tal conceito. Ela ensina que a vontade de Deus é absoluta. O próprio Jesus, no horto, rogou que o Pai fizesse sua vontade, e não a vontade dele. Ele ensinou na Oração do Senhor: “Seja feita a tua vontade na terra, como é feita no céu.” Querer que Deus faça o que quer é supremamente ditoso! Blasfêmia é pedir que faça “minha vontade”. Aliás, seria uma desgraça ele fazer o que queremos, pois nem mesmo sabemos bem o que queremos. Toda nossa segurança está em ele fazer sua própria e gloriosa vontade.
Concluamos, dizendo que esta doxologia é de caráter atual e escatológico. Deus age dentro da história humana e fora dela. Sua glória não pode ser contida tão-só dentro da história humana. Aliás, ela se consumará na glorificação do universo após o juízo final. Então a Igreja glorificada não só desfrutará dessa glória em sua plenitude, mas ela mesma será motivo para que essa glória se sobressaia ainda mais. Basta lermos o capítulo 19 do Apocalipse. Ali a Igreja canta a glória do Deus que destruiu para sempre os demônios e seres humanos malvados e purificou a Igreja de todo o mal. Agora ela está livre de toda mancha e do convívio dos ímpios. Já não se necessita de trancas e muros.